I Hate You

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I Hate You

Mensagem por Konan* em Dom Fev 14, 2010 4:02 pm

“I Hate You” narra a cumplicidade e os segredos de duas amigas de um modo diferente do cotidiano, tendo sentimentos inversos aos normais e gira em torno do “Ódio” de uma delas por um garoto de sua escola. Carol, a garota que odeia, tem quinze anos e um grande segredo e Bruna a amiga para todas as horas, tem quatorze e uma grande divida com sua melhor amiga.
Escrevi-a em 2005, quando ainda tinha treze anos e foi a segunda história que eu havia escrito com mais de dois capítulos. Foi muito difícil na época deixar a história interligada. Eu sempre narrava sobre o típico romance, então nessa, tentei dar uma inovada no meu estilo; criar uma história diferente tanto no enredo quanto estéticamente. Antes de postar eu dei uma pequena revisada, mas não mudei quase nada.
Espero que gostem.
Por favor, leiam-na e dêem suas opiniões e criticas.
Gostaria e preciso muito saber o que acham da história. - Ando pensando em empreender em uma nova jornada de “I Hate You”, contando o que houve antes do que vocês verão aqui e quero saber se vale a pena.

Tema: Drama - Suspense
Classificação indicativa: Acima de 16 anos.
Contém:
Spoiler:
Violência, abuso, assassinato, lesbianismo.
Uma boa leitura!


Primeiro Capitulo: O estranho sentimento da garota que odeia.

O pôr-do-sol particularmente demorado fizera com que duas garotas de uniformes colegiais subissem e se sentassem sob um muro pichado, e abandonado assim como o terreno baldio atrás dele. A ultima rua de um bairro periférico numa cidade suburbana; quadras vazias, apenas a grama cobrindo os terrenos desertos que tempos atrás haviam sido preparados para abrigar uma zona industrial. As sombras das casas longínquas devido ao sol horizontal se projetavam nas garotas no muro. A coloração laranja-escura do céu se refletia nelas.
- O que ele te fez afinal? – Questionava a menor das duas.
A confusão era evidente no rosto e na voz da entrevistada quando ela respondeu com uma simples palavra que indicava vácuo e que da maneira como foi usada seria o mesmo que se ela não houvesse respondido.
- Nada.
A que fizera a pergunta tinha um misto excêntrico de indignação e felicidade quando aquelas palavras se propagaram lerdamente do ar até seus ouvidos numa velocidade somente superada pela da luz. Evidente que ela não concordava com a idéia da amiga, mas achava graça naquele caso estranho de sentimentos. Depois de se contentar com “nada” ela perguntou com uma leve mudança na voz e uma ligeira histeria, algo que pelas cenas, caras e tons seguidos parecia ser uma questão frequente.
- Mas então porque você odeia ele?
Neste momento um vento suave passou pela campina próxima a elas e do meio dela saiu em disparada um pássaro, rumo ao céu. Nenhuma das duas viram tais cenas. Na verdade, a resposta estava sendo dada naqueles mesmos.
- Eu não sei Bruna! Já te falei... Só de ver ele, fico zangada. Meu humor muda, sabe?!
E ela sabia mesmo, convivia há muito tempo com sua amiga para não saber. Todos os segredos, exatamente nada e tudo; nada havia escondido entre elas e tudo elas sabiam uma da outra.
Bruna resumiu seus pensamentos a uma meia verdade sugestivamente verossímil quando se tratava apenas de seu mundo e não do mundo de fora do mundo dela, uma desgeneralização.
- Ai Carol... Só você mesmo.
Mas Carol olhava para frente, via as negras nuvens capturando o restinho da felicidade do dia. Estava absorta em seus pensamentos e deixou escapar num tom triste e ineficaz algo ainda indecifrável, de uma maneira que parecia ainda estar terminando sua resposta anterior.
- Eu sinto vontade de fazer aquilo...
O clima esfriou, nos dois sentidos. O sol já havia se escondido noutro lado do mundo para dar a lua o lugar no céu noturno que ainda estava um pouco adocicado pelo entardecer. E assim, num murmúrio de brisa leve se manifestou a resposta assustada da primeira garota que abraçava a si mesma, não como alguém que necessitasse de carinho, como alguém que tentasse se esquentar no gélido ar.
- Está anoitecendo...
Disse, obviamente a fim de indagar a amiga a falar alguma coisa... Qualquer coisa. Mas o silêncio continuou e fez parecer que ela disse uma coisa obvia e burra.
Pra esquentar o clima, ela falou o que seria mais inteligente no momento.
- É melhor irmos Carol.
Elas pularam do muro e caminharam até certo trecho onde se dividia em duas travessas, ali também se dividiu o caminho das duas.
Logo chegaram a suas casas e jantaram a ultima refeição daquele final de semana ingênuo, e ameno assim como a água que caia dos respectivos chuveiros onde elas tomavam banho.
Deitaram-se sobre suas camas; uma pensando no garoto popular que ela odiava, assim como sempre pensava ante de dormir, e a outra pensando em como ajudar sua amiga de maneira tão grandiosa que pudesse compensar a vez em que ficara muda.
Carol dormiu muito bem.
Bruna teve pesadelos e um sono frágil e ruim.


Última edição por Konan* em Seg Mar 29, 2010 8:21 pm, editado 1 vez(es)
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Re: I Hate You

Mensagem por Raidam em Qui Mar 18, 2010 2:32 pm

Achei massa sua fic.
Já tinha lido em outro fórum.
Você narra de um jeito diferente.
Tipo, meio irônico, dá importancia pros detalehs menos importantes.
Eu só queria saber como termina.


A bola de borracha pode cair, as importantes, são as bolas de cristal.
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Re: I Hate You

Mensagem por Airy em Sab Mar 20, 2010 2:11 pm

Hum...
É uma leitura interessante,
um tema diferente da maioria das fics,
e uma boa narração.
Eu gostei,
ficaria contente em ler os próximos capítulos.


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Re: I Hate You

Mensagem por Konan* em Qua Mar 24, 2010 7:01 pm

Essa história é toda irônica e sádica, a começar pelos titulos de capitulos despropositados.
Agradeço o comentário, Raidam.
Você já havia comentado da outra vez, no outro fórum.

Sim, Airy. - Não conheço muitos histórias que combinem os elementos que há nessa fic. Obrigada.
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Re: I Hate You

Mensagem por Konan* em Qua Mar 24, 2010 7:10 pm

Segundo Capitulo: A conspiração não feita pelo destino.

Os pesadelos de Bruna foram terríveis; memórias alteradas reenviadas a sua consciência pelo seu cérebro, que tentara as apagar. Ela acordou uma hora depois do habitual e chorava muito ao lembrar das cenas cruéis de um rapaz abusando uma menina que se esperneava. Agredindo-a e a machucando. Ela apenas via tudo como uma telespectadora desprezível, não se importando em achar algum jeito de ajudar, uma telespectadora desprezível que observava tudo por detrás de uma moita de cumplicidade. Quando o corpo caiu no chão morto e formando uma poça de sangue em seguida, ela acordou daquela regressão. Para interromper seu estado suicida uma voz grossa e embriagada gritou um ordem de outro lado da casa.
- Bruna! ...Vai pra escola menina.
Mesmo pensando em se jogar na frente de um carro, de um ônibus e da ponte no caminho até a escola; a força que a impulsionava a viver era mais forte do que a antagônica.
Passou pelos corredores nostalgicamente cheios de personagens de expressiva desnecessariedade a menção alguma (aqueles que nascem e vivem apenas para consumir oxigênio e transforma-lo em carbono) numa árdua batalha de corrida de obstáculos que ela venceu. Chegou à sala de permutação; onde mostravam sorrisos e demonstravam emoções que não existiam, mas no momento não havia ninguém exceto o alguém que mais importava pra ela; sua amiga Carol. Ela se sentou atrás da amiga num habito cotidiano.
Conversariam muito não fosse o alarde do sinal barulhento e indicador de que a aula começaria. Numa pequena fração de tempo ao quadrado e dividido por dois a sala estava cheia e preparada para a subtração ao cubo na amada aula de matemática com a Professora Catherine.
O tempo demorou a passar, mas passou.
- I hate you!
Depois do eco vago das palavras anteriores houve um silêncio interrompido pela mesma frase seguida de uma frase imperativa.
- I hate you! Repitam.
O professor já estava extasiado da turma tão pouco participativa a ponto de inventar que havia pedido um trabalho individual e que o queria hoje. Quem faz trabalhos inventados por professores em minutos de nervosismos e de ultima hora? Nem mesmo os melhores alunos... Talvez videntes... Mas o que importa é o que interessa e o que interessa é que nenhum aluno tinha o tal trabalho que valia vinte e cinco por cento de suas notas e que os coitados teriam que fazer uma recuperação. Porém, as palavras do professor depois de “Vocês terão que fazer uma recuperação.” – Foram animadoras.
- Trabalho em dupla, cada dupla apresentará um dialogo de pelo menos um minuto aqui na frente... E quero um inglês fluente.
Ouvir que era em dupla lhes acalmou o coração e estavam alegres por que não teriam que escrever nada e fazer poucos esforços, no entanto, a felicidade foi perturbada por um “no entanto”.
- No entanto, eu escolherei as duplas.
As reclamações se seguiram. Bruna e Carol provavelmente não seria Bruna e Carol e nem Carol e Bruna; seriam separadas para a tristeza sobrepujada delas.
O professor Tony, como preferia ser chamado, já teria feito todas as duplas não fosse o número impar de alunos. Escolheu a ultima dupla antes que restassem três alunos dizendo:
- Vanessa e Carol.
Carol se sentiu aliviada, estava preocupada de acabar sendo a dupla “dele”; aquele garoto que ela odiava e de quem falava ontem. Tão aliviada que até havia se esquecido de algo.
- Carol Lima, ok?! - Havia outra Carol.
Ela, Bruna e ELE: foram, os que não foram chamados. “Um trio”, as duas pensaram juntas e compartilharam os pensamentos com um olhar, movimentos labiais e três dedos da mão levantados.
- Já sei! - O professor exclamou da maneira como Thomas Edson deve ter feito quando descobriu como fazer duas pessoas se comunicarem mesmo estando distantes.
- Faremos o seguinte...
- Um trio?! - Completou divertidamente “Ele”.
- Não!- Disse instantaneamente o professor.
“Ele” se enganou. O professor deu mais uma tragada de ar e disse quem seria a dupla.
- Bruna e Juan ficarão juntos.
Carol se sentiu aliviada... Por dois segundos. Esse foi o tempo necessário pra que ela percebesse que sua melhor amiga iria ficar com o cara que ela odiava. Carol sentiu um aperto no coração e nem reparou na continuação do professor.
- Eu ajudo a Carol. Mas é você que terá que preparar os diálogos moça... Carol! Carol!
Ela acordou pelo segundo Carol e ouviu algo inesperado.
- Eu prefiro me matar a fazer o trabalho com esse garoto. - Bruna deixou de permutar.
- Me dê zero agora então professor!
A turma estava assustada com a pecadora... Ela não está encenando. Que coisa vil!
E o professor estava tão surpreso quanto seus alunos.
- Calma Bruna... Então a Carol fica com Juan... Pronto!
E assim se rematou nos pensamentos de Bruna um formidável: “Consegui!”.
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Re: I Hate You

Mensagem por Konan* em Seg Mar 29, 2010 8:24 pm

Terceiro Capitulo: Emoções não secretas são reveladas.

Exuberantemente quente - a definição mais exata que poderia ser dada para o dia tão aguardado da apresentação para a aula de inglês; Sol de verão à meio-dia, em plena tardinha de primavera.
Não que fosse algo difícil apresentar um diálogo de pouco mais de um minuto em inglês e na frente de toda a turma, mais cada dupla ensaiou muito para que nada desse errado; essa já era a recuperação e eles não podiam nem sonhar em tirar uma nota baixa. Mas alguém havia se conformado em ficar apenas com sete vírgula cinco em inglês...
Carol não atendia as ligações de seu par e o evitava, de toda e qualquer maneira. Sempre que Juan lhe perguntava quando poderiam fazer o tal do dialogo ela fugia discretamente com a desculpa de que tinha de fazer uma coisa, numa imitação barata de Peter Park à Mary Jane em homem-aranha. Ela sabia que se ficasse muito tempo perto dele, seus sentimentos iriam se aflorar e ela acabaria fazendo algo que não se orgulharia depois. Mas nos três dias de prazo que eles tinham para criar a apresentação, não houve como escapar. Na noite anterior á este dia tão quente, ele finalmente conseguiu não conseguir ceder às desculpas da garota e achar um modo de encurralá-la de uma maneira pior do que se encurralasse um camundongo num circulo de ratoeiras.
No começo da noite Carol chegou a sua casa feliz por ter se entendido com a amiga.
- Filha... – A mãe correu até a porta num hábito nada rotineiro e com um sorriso menos rotineiro ainda. – Porque você não me contou filha! – A mãe sussurava com um sorriso meia-lua. Até aparentava que as duas eram confidentes e a filha havia se esquecido de dizer algo. Carol não entendia a maluquice da mãe, mas logo entenderia.
- O que foi mãe? – Carol começou num tom displicente a te ver uma imagem por trás do corpo fino da matriarca. Ficou com a boca aberta, parecendo que ainda ia continuar.
A mãe deu uma risadinha e elogiou baixinho o rapaz.
- Ele é bonito... E bem meigo. – Depois deu uma risadinha.
- Oi Carol. – Foram as primeiras palavras que saíram da boca de Juan e fizeram suas baterias se religarem, seu braço fazer um movimento espontâneo e sua boca dizer uma palavra curta.
- Oi.
Se ele dissesse mais alguma coisa com aquela voz tão linda ela não aguentaria e teria que ceder as suas vontades reprimidas. Ele disse e ela se surpreendeu com sua força, pois conseguiu segurar-se.
- Será que podemos conversar?
Seguiu-se o som do televisor da sala aumentando e o pai de Carol gritando para a mulher que haviam descoberto mais um morto pelo “homicida”.
- Tá passando agora... Vem vê Ane!
A mulher falou algo sobre Carol levar o garoto para seu quarto para os dois conversarem e partiu interessada no noticiário... Agora sim Carol havia reconhecido que aquela era sua mãe. Vê-la desgrudada da frente da TV por tanto tempo foi algo surpreendente. Carol estava até com medo que a mãe pudesse desmaiar por ficar longe da máquina que a fazia continuar a viver.
E na varanda da casa eles conversaram. Por mais incrível que fosse Carol conseguiu suportar. Além de prepararem o trabalho falaram de algumas outras coisas.
- Por que sua amiga me odeia? – Foi uma das perguntas dele. E ela respondeu a pergunta como se fosse pra ela. Mas houve uma certa surpresa na resposta que ele deu à resposta dela.
- Depois daquele das duplas. Na verdade, até antes... Eu estou gostando da Bruna.
Ela já sabia disso; aquilo que a impulsionava a odiá-lo: Ciúmes. Seu ódio cresceu muito aquele dia e principalmente depois das palavras que se seguiram.
- Será que você poderia me ajudar com ela?
Ela não poderia! Ela não poderia de jeito algum. A idéia de ver a amiga com ele, quase destruía seu coração.
- Claro! Por que não? – Carol permutou.
Depois de ele ir embora, ela se trancou no banheiro e chorou amargamente.
O dia de hoje chegou e ela se levantou mesmo querendo permanecer adormecida, se vestiu mesmo querendo ficar como havia nascido e saiu para enfrentar o mundo mesmo querendo continuar ali; estatua.
A hora da apresentação chegou e após três duplas eles foram chamados. Tudo foi bem, até os cinquenta segundos do primeiro tempo. Ela emudecera, o branco invadiu sua cabeça e ela ficou calada. Ouvia sussurros de Juan.
[/i]- Vai, Vai.[/i]
O professor também compactuou dos dez segundos de silêncio, mas ao fim desse tempo se manifestou. - É só isso?
O rapaz parecia apavorado e já não falava mais em murmúrios.
- Diz alguma coisa... – Quase gritou ele.
Com toda aquela pressão. Todos os olhos de coruja e o tremendo ódio aflorando.
Carol só pode dizer (na verdade gritar) uma frase:
- I HATE YOU!
E Depois disso deu um tapa na cara de Juan e saiu correndo da sala, da escola, do mundo...
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Re: I Hate You

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