Bakeneko

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Bakeneko

Mensagem por Mephisto em Sab Jul 03, 2010 3:05 pm

Enraizado nas tradições Budistas e Shintoístas (religiões milenares com
grande tradição e devoção por parte dos Japoneses) e moldado por uma
vivência que até há bem pouco tempo era essencialmente dependente da
agricultura, o folclore Japonês está recheado de divindades, lendas
superstições e criaturas míticas. De acordo com as lendas, as próprias
ilhas que formam o Japão foram criadas por e são elas próprias Deuses.
Opróprio imperador é tido como descendente dos Deuses e pertencente à
sua linhagem (a designação japonesa para imperador é tennō, o que se
traduz literalmente como imperador divino ou celestial).

A partirdestes factos podemos ter uma ideia da importância da mitologia na vida
dos Japoneses, nos seus costumes e rituais do dia-a-dia.

A palavra japonesa para gato é neko e neste país os gatos foram sempre
alvo de admiração (sendo o Japão um país maioritariamente agrícola até
meados do séc XX, os gatos eram utilizados para proteger as culturas
dos ratos e, em tempos idos, era proibido comprar, vender ou trocar
gatos). Desta veneração nasce o maneki neko (literalmente "gato que
acena", simpático gatinho de pata levantada que é colocado normalmente
à porta ou junto da porta de um estabelecimento comercial, para chamar
o negócio e o dinheiro. É também utilizado como mealheiro, porta-chaves
e noutros objectos, transportando a sorte para quem o detém.





Ora, lembram-se de eu ter dito que até há pouco tempo os gatos não podiam
ser vendidos no Japão? Ok, isto fazia com que os gatos fossem animais
totalmente livres, que podiam circular pelas cidades e pelos campos,
caçando ratos e ajudando assim as populações. Desta liberdade foram
surgindo lendas e histórias acerca dos gatos de rua. Um dos hábitos
mais comentados pelos humanos era o de beber o óleo usado como combustível na iluminação pública: como este líquido era feito normalmente de restos de peixe, era natural que os gatos o bebessem sempre que podiam. No entanto, as populações começaram a tomar este
sinal como um sinal de que os bichanos se tinham tornado gatos-fantasma.

É aqui que entra o bakeneko (化け猫, literalmente, gato-fantasma).
Para os japoneses, qualquer gato que viva mais de 13 anos, atinja o peso de
um kan (+/- 3,75Kg) e/ou tenha uma cauda comprida pode transformar-se
num bake-neko (pode ser também escrito desta forma). A partir deste
momento, esse gato fica portador de características paranormais, como
por exemplo a capacidade de comer tudo o que lhe apareça à frente
(grande ou pequeno), capacidade de resistir ao veneno (que por vezes é
descrito como sendo o seu alimento preferido, além das cobras) ou a
capacidade de se esconder e viver de forma furtiva, escapando ao olho
humano. São raras as descrições de encontros entre humanos e bakenekos,
mas algumas pessoas alegam ter estado com um destes gatos-fantasma.





O bakeneko irá atormentar qualquer lar em que seja mantido, caminhando
nas patas traseiras, voando, dando origem a bolas de fogo fantasma
(provavelmente oriundas das verdadeiras "bolas de pelo" que todos os
gatos expelem, ou tentam expelir), perturbando o sono dos seus
habitantes, entre outras travessuras. O bichano detém inclusive a
capacidade de se transformar num qualquer ser e pode por vezes comer o
seu dono e tomar o seu lugar.



Bakeneko


Uma das capacidades mais estranhas do bakeneko é a de ressuscitar um
cadáver, saltando sobre este. Assim, devemos ter sempre o cuidado de
não deixar o bakeneko na mesma divisão de um parente morto.
Quando é morto, o bakeneko pode mostrar a sua verdadeira forma, num corpo que pode atingir um metro e meio de comprimento.

Além de todas estas superstições quotidianas associadas ao bakeneko, há uma
que influenciou particularmente a criação de gatos no Japão e que deu
origem ao Bobtail Japonês. Segundo a lenda, estava um bakeneko a
aquecer-se junto de uma fogueira quando a sua cauda comprida pegou
fogo. O gatito, com o susto, começou a correr e atravessou toda a
cidade, pegando fogo a muitos objectos e edifícios. Assim, e para
evitar mais catástrofes, o imperador ordenou que todos os gatos
tivessem as suas caudas cortadas.
Diz também a lenda que, se
deixarmos crescer a cauda de um bakeneko, ela vai acabar por bifurcar e
o nosso amigo irá tornar-se num monstro, o nekomata.



Nekomata

Irei preparar um texto mais elaborado sobre o nekomata, no entanto posso
adiantar que este monstro (ou demónio, como muitas vezes é
considerado), é principalmente constituído por fogo, e muito temido
pelos mais tradicionalistas.


Voltando ao bakeneko, outra lenda conta-nos que quando o seu gato desapareceu, a mãe de Takasu Genbei mudou completamente a sua atitude, rejeitando qualquer companhia
humana e isolando-se completamente no seu quarto. Um dia, Takasu ia
levar-lhe uma refeição e, quando espreitou para o quarto, viu um
monstro em forma de gato, vestindo as roupas da mãe e a comer ratazanas
e outros animais, cujas carcaças se encontravam espalhadas pelo quarto.
Assustado, Takasu matou a sua mãe, para descobrir, momentos depois, que
ali jazia o corpo do seu gato, há muito desaparecido.

Mas não se enganem, nem todos os bakenekos são maus (ou acham que eu ia tomar o
nome de um bichano que só fizesse maldades?). Normalmente são bastante
fieis aos seus donos e há histórias que relacionam os bakenekos ao
surgimento do manekineko. Outra história particularmente engraçada
fala-nos de uma Geisha que começava a ficar farta do seu gato. Porquê?
O bichano não a deixava ir à sanita: cada vez que a menina se ia
sentar, o gato puxava-lhe o kimono. Num acesso de raiva, a geisha matou
o gato e foi ao wc. Estava a preparar-se para fazer a sua necessidade
quando o fantasma do seu gato (bakeneko) surge do nada e mata a enorme
cobra que se preparava para a morder.

O bakeneko pode também decidir mostrar-se nos sonhos, para aconselhar os seus donos em assuntos profissionais e pessoais.


Em suma, o bakeneko é um gato-fantasma, com capacidades paranormais e faz
o que qualquer um de nós poderá fazer com as suas capacidades: praticar
o bem ou o mal. Há estudiosos que afirmam que o bakeneko é uma metáfora
para uma mistura de sentimentos de vingança e de dever, com uma pitada
de karma. Porquê? Nas lendas, o bakeneko incorpora muitas vezes as
características e feitos dos seus donos, ou adopta como sua uma tarefa
de vingança de alguém que consigo se relaciona, retribuindo
acontecimentos maus aos seus inimigos. Aos donos de quem gosta, o
bakeneko retribui com boas acções, conselhos valiosos e, não passando
de um gato, um carinho especial.

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